Audio Track

[Intro — riff cavernoso, campainha fúnebre, tempo médio, fuzz saturado]
[voz feminina contralto, timbre rico, ataque duro]

[Verso 1]
Primeiro selo, trovão chama meu nome,
cavalo branco corta o nevoeiro;
arco em punho, coroa que não me serve,
conquista é ferrugem no espelho do império.

[Pré-Refrão]
Ouço tambores no peito da terra,
quem abrirá? quem quebrará a trava?
Se abrem veios de fogo nas veias,
eu digo: agora.

[Refrão]
Somos os mártires — até quando?
sangue na língua, verdade nos ossos,
não nos curvamos — eu levanto
a cicatriz como hino de aço.

[Verso 2]
Segundo selo, rubra é a lâmina,
cavalo vermelho rasga a paz do povo;
espadas falam onde calou-se a fome,
mas eu cuspo brasa no rosto do trono.

[Verso 3]
Terceiro selo, negro o casco lento,
balança fria pesa o pão do dia;
"óleo e vinho" intocáveis pros mesmos,
eu quebro a tábua da hipocrisia.

[Breakdown]
Quarto selo, pálido é o vento,
morte cavalga com febre e vazio;
Hades assovia na dobra do tempo,
eu rio na cara do frio.

[Bridge — chamada dos mártires]
Quinto selo — sob o altar, nossas vozes,
vestes brancas, feridas abertas;
"Até quando, Justo e Verdadeiro?",
até que a noite devolva as promessas.

[Refrão]
Somos os mártires — até quando?
sangue na língua, verdade nos ossos,
não nos curvamos — eu levanto
a cicatriz como hino de aço.

[Verso 4 — colisão cósmica]
Sexto selo, o sol veste luto,
lua de sangue, estrelas desabam;
céu se enrola como pergaminho,
montes e reis procuram quem os apague.

[Break — silêncio tenso]
[Sétimo respiro: silêncio de ferro — meio compasso]

[Final — explosão contida]
Sétimo selo, a garganta se cala,
antes do grito que parte o vidro;
no coração, uma brasa que fala:
"espera um pouco — eu ainda resisto".

[Refrão final — mais grave, arrasto no tempo]
Somos os mártires — até quando?
sangue na língua, verdade nos ossos,
não nos curvamos — eu levanto
a cicatriz como hino de aço.

[Outro — riff martelado, feedback longo]

Em Os Mártires, parte de Os Quatro Cavaleiros, a letra atravessa os sete selos com imagens que mapeiam uma revolta espiritual e terrena. Do cavalo branco que traz a conquista corroída à espada rubra que rasga a paz, da balança injusta ao hálito pálido da morte, a narradora recusa a coroa e toma a cicatriz como estandarte. O quinto selo acende o coração do tema: a voz coletiva sob o altar clama “Até quando?”, e encontra abrigo na promessa de espera e perseverança; o sexto detona um abalo cósmico — sol em luto, lua de sangue, céu que se enrola — antes de o sétimo impor um “silêncio de ferro” que refunda o grito em brasa interior.
O refrão — “Somos os mártires — até quando? / sangue na língua, verdade nos ossos” — converte dor em manifesto, alinhando martírio e desafio. As marcações entre colchetes sugerem um rito proto-metal e de garagem: sinos fúnebres, riff cavernoso, breakdown pálido, respiro antes da ruptura. A arcada emocional move-se do anúncio bélico à recusa do império, culminando numa ética da resistência: não se trata de fim, mas de vigília ardente até que a justiça responda.