Audio Track

[Intro]
[Voz feminina suave, etérea, narrativa]
Escutem o fogo falar...
Escutem o ferro cantar...
Há histórias mais velhas que os reis...
Mais velhas que os nomes...

[Verso 1]
Nasci quando o bronze era ouro
E os deuses andavam no chão
Quando os rios tinham espíritos
E a floresta guardava a escuridão

Aprendi com meu velho pai
A ouvir o fogo respirar
Pois toda chama tem um segredo
Que só o silêncio pode escutar

[Pré-Refrão]
E as marteladas ecoavam
Como trovões na solidão
Cada lâmina que eu criava
Levava um pedaço do meu coração

[Refrão]
Eu sou a voz do ferreiro antigo
A memória do que aconteceu
Pois aquilo que nasce das mãos
Jamais pertence só a quem vendeu

O poder não vive na espada
Nem na coroa de um rei
Todo criador carrega o peso
Daquilo que trouxe à luz um dia também

[Verso 2]
Numa noite de inverno escuro
Três batidas vieram chamar
Um viajante coberto de neve
Veio à minha porta esperar

Em sua mão havia uma pedra
Negra como a ausência do sol
"É um fragmento do coração da montanha"
Disse com um sorriso sem voz

Quando a pedra encontrou o fogo
As chamas ficaram azuis
E faíscas verdes dançavam
Como espíritos sem cruz

[Pré-Refrão]
Da bigorna nasceu uma espada
Que refletia sombras sem fim
E mesmo antes de entregá-la
Algo já morria em mim

[Refrão]
Eu sou a voz do ferreiro antigo
A memória do que aconteceu
Pois aquilo que nasce das mãos
Jamais pertence só a quem vendeu

O poder não vive na espada
Nem na coroa de um rei
Todo criador carrega o peso
Daquilo que trouxe à luz um dia também

[Ponte]
[Voz mais intensa, porém controlada]
Os anos passaram...
E vieram histórias do norte...

Um guerreiro invencível...
Uma trilha de fogo e morte...

E eu soube...
Ao ouvir seu nome nos ventos...
Que a espada carregava
Todos os meus arrependimentos...

[Verso 3]
Atravessei montanhas frias
Cruzei rios de escuridão
Buscando entre velhos espíritos
Uma forma de reparação

Uma mulher de olhos antigos
Disse ao me ouvir falar:
"O que veio do coração da montanha
À montanha deve voltar"

[Instrumental]
[Flautas, cordas e percussão tribal suave]

[Último Refrão]
Eu sou a voz do ferreiro antigo
A memória que resistiu
Mesmo quando os séculos passam
A verdade jamais partiu

O poder não vive na espada
Nem no guerreiro que venceu
Toda criação guarda para sempre
A marca de quem a concebeu

[Outro]
[Voz feminina suave, quase um sussurro]
E quando o metal encontra o fogo
E a bigorna volta a cantar
Os antigos ainda se lembram
Do preço de criar...

Do preço de criar...

Do preço de criar...

O Conto do Ferreiro casts the singer as the ancestral voice of a blacksmith who forges not only metal but memory, guilt, and fate. The Portuguese lyrics move from cosmogonic images—fire that breathes, a stone from the mountain’s heart, blue flames and green sparks—to an ethical revelation: every blade takes a piece of the maker, and power never resides in the weapon or the crown. The refrain’s credo asserts creative accountability, while the sword that “reflects endless shadows” becomes a symbol of unintended consequence.

As stories of an invincible northern warrior spread, pride curdles into responsibility, and the quest for repair finds its answer in cyclical return: what came from the mountain must go back. Orchestral colors—flutes, strings, and soft tribal percussion—suggest ritual and atonement, while a rich contralto guides dynamic crescendos from whispered myth to stern confession. The finale reframes triumph as memory’s burden: creation bears the maker’s mark, and the ancients still remember the price of bringing anything to light.